
Susana e Zé Ruivo do AiLaika
Direto de Recife, terra de muito sol, frevo e mangue, a simpática e irreverente Pernambucana Músico-Jornalista Susana Bragatto, aterrisou em Sampa e montou o AiLaika junto com seu parceiro musical e afetivo, o pianista Zé Ruivo.
De posse de um dialeto próprio, a original “Su” é por natureza independente, preciosista e madura; assim como o som do AiLaika.
Confira agora o bate-papo sobre o excelente primeiro álbum da banda - leveleve - e um pouco de sua vida.
IAM) Nome completo:
SB) Susana Bragatto
IAM) Ano, local de nascimento e estado civil:
SB) 1977 em Recife, amasiada-co-zé…
IAM) Instrumento(s) que toca:
SB) vibrafone básico, violão básico, total vox…
IAM) Comida e bebida preferida:
SB) Gosto de quase tudo quanto é comida. E mais destilados…
IAM) Influências pessoais:
SB) Tirando o prólogo de que tudo-influencia-e-tal, minhas maiores inspirações musicais, por incrível que pareça, são os livros. Sempre amei ler e escrever minhas coisinhas. Daí sai um mundo de coisas, e música junto. Não leio de tudo: sou muito chata e meio caótica nos gostos. Mas amo Cortázar de todo coração. E também Dostoievski, Bukowski, Wilde, Guimarães Rosa, algumas paraditas beatnik etc.
Com música também não sou muito sistemática. Ouço mil vezes o mesmo som e ainda não escutei a maioria daqueles-álbuns-imprescindíveis. Mas admiro, como tanta gente, as coisas que têm loucura e candura misturadas. Setentismos, howls em geral, Jefferson Airplane, música medieval, meus longínquos disquinhos infantis de música japonesa, suíte quebra-nozes, esses PJ / Amy / Cat / Lou Reed / Bowie / Nico / Juliette (a Lewis..) / Gibbons (a Beth..) / Hacienda (excelente banda) etc etc. E adoro trilha de travesseiro: Zero7 e Air sempre.
IAM) Fale um pouco do som do AiLaika e se esse era 100% o som que vc gostaria de fazer…
SB) Acho que nunca é 100%, senão a gente senta na pedra e pára, mas ao mesmo tempo é, porque tem que ser, sempre. Eu às vezes sou muito pentelha (coitado do Zé). Mas também sempre tento meter na minha cabeça dura que o som é o que a gente é, imperfeito, assimétrico, emotivo, confuso, superpop, feio às vezes, né? Se eu amar, vai rolar.
IAM) O álbum Leveleve é bastante versátil ao mesmo tempo que soa muito maduro para uma estréia. Como foi o processo de composição e gravação do álbum?
SB) O Zé começou com essa história épica de querer gravar um disco, ir avante num trabalho próprio. Eu, que era a namorada-canarita, fui entrando de fininho. Quase sem querer a gente foi compondo, naqueles momentos em que, sem planejar nem marcar horário, de repente a gente se vê sentadinho, na frente do piano, insistindo numa viagem e tal, tomando um chazinho, escrevendo, fritando… E assim o disco foi saindo. É o primeiro; há nele algo de busca de identidade e tal. Ao mesmo tempo, todo mundo que se empenhou na coisa junto com o Zé, principalmente, que é quem produziu o disco, imprimiu a Pata Grande no trampo, e essa boa vontade também está no som, a meu ver.
IAM) Melhor show que já fez, com quem e o por que?
SB) O melhor foi o primeiro com o ai_laika. Aconteceu no Kabul, lá pros lados da Augusta, numa quarta chuvosa de outubro, a gente com um cagaço de dar tudo errado… Foi muito massa mesmo, com amigos y nuitdamú y comprem-nossos-discos-laika!!!!
IAM) Pior show que já fez, com quem e o por que?
SB) Acho que o pior foi com a Amber, banda de discoglitterfunk na qual cantei por uns 7 anos… Uma vez tocamos acho que numa casa no ABC… só para os garçons. Que não estavam nem um pouco a fãns de nos ouvir, diga-se. Foi foda ir até o fim. Mas com a Amber, mesmo quando era ruim, geralmente era bom. Foi uma fase massa, foi aí que comecei a cantar!
IAM) Artistas com quem já tocou ou toca atualmente:
SB) Amber, Ctrlz, Gumbô, Brasil, Pau D’Arco, SUB!, Jack in the Box, entre autorais e gigs de cover pra ganhar um dindindoo.
IAM) Dá ou não dá pra viver 100% de música no Brasil? Por que?
SB) Acho que depende do que cada um quer com som. No meu caso, vivi praticamente só de música um tempinho, estudando e talz. Mas, aos poucos, percebi que não era a minha tirar o sustento de cover pra galera dançar (nada contra:: eu conheço um monte de gente que tem o maior talento pra coisa e se realiza fazendo isso).
Resolvi então voltar a trabalhar na minha área (sou jornalista), pensando, entre outras coisas, em co-bancar o nosso som, meu e do Zé, sem ter que me descabelar por não tocar Janis ou Rita Lee ou Raul, ou por só ter descolado uma gig no mês.
Mesmo assim, acho que agora eu me descabelo é mais, porque agradar público com som autoral é mais dureza ainda do que fazer cover. Com o adendo de que agora também não posso dormir até tarde, porque trampo o dia inteirooo! Hehe.
O grande desafio do músico que resolve seguir a profissão, na minha opinião, é se reinventar. Um cara bem-sucedido na área, me parece, deve ter a capacidade de se auto-gerir, isto é, deve ser um pouco visionário e ter a capacidade de planejamento e auto-promoção, além de um bocado de jogo-de-cintura pra driblar donos de bar, produtoras, produtores, alunos que querem aprender aquela-do-guns, noites sem dormir, artistas maletas, mercado em transformação, disputas acirradas etc. No meio disso tudo, tem que rolar a paixão por tocar, ou trampar com áudio, ou dar aula, alguma coisa. A música é feita pra suscitar e audiotransportar paixões, então a gente tem que curtir fazer, senão não vai. E é esse romantismo que faz tudo valer a pena… (ou então uma gig com o Xororó). Pensando bem, acho que isso vale cada vez mais pra qualquer profissão. Pensando melhor ainda, falar é fácil…
IAM) Um livro e uma música:
SB) V, de Thomas Pynchon e Gamma Ray, do Beck (só porque tô ouvindo sem parar…)
IAM) A InfinityArt Music agradece a Susana pela entrevista e deixa o link do AiLaika no Myspace e também da Loja Virtual para aqueles que quiserem prestigiar e comprar o CD ou Downloads da banda:
www.myspace.com/ailaika
LOJA VIRTUAL INFINITYART MUSIC